Erisipela
Revisado por Dra. Ana Elisa Brito Vilibor, dermatologista — CRM-SP 117811 · RQE 32407 · Sociedade Brasileira de DermatologiaRevisado em 23/09/2026
A erisipela é uma infecção bacteriana da pele que atinge a derme superficial e os vasos linfáticos. É uma das infecções cutâneas que mais exigem atenção imediata, pelo alastramento rápido e pelo risco de disseminação.
Como reconhecer
Aparece como uma placa avermelhada, quente, dolorosa e com bordas bem delimitadas — a delimitação nítida é o que a distingue de outras infecções de pele. A localização mais frequente é a perna, seguida da face.
Costuma vir acompanhada de sintomas gerais que ajudam no diagnóstico: febre, calafrios e mal-estar, que muitas vezes aparecem antes mesmo da vermelhidão. Pode haver ainda íngua na virilha ou na axila do lado afetado.
Erisipela e celulite infecciosa
São parentes próximas, e a distinção importa para o tratamento. A erisipela é mais superficial e tem bordas nítidas e elevadas; a celulite infecciosa é mais profunda, com bordas difusas e limites que não se conseguem desenhar. Ambas exigem antibiótico e avaliação médica.
Vale a observação, porque o nome confunde muita gente: a celulite infecciosa não tem nenhuma relação com a celulite estética, aquela de aspecto de casca de laranja.
Por onde a bactéria entra
Quase sempre há uma porta de entrada, e encontrá-la muda o desfecho a longo prazo. As mais comuns passam despercebidas justamente por parecerem banais:
- micose entre os dedos dos pés — a mais frequente de todas;
- fissuras no calcanhar;
- unha encravada e ferimentos pequenos;
- úlceras e feridas crônicas;
- picadas de inseto coçadas.
Por que a erisipela volta
Esta é a parte que costuma faltar na orientação e que mais importa para quem já teve um episódio: cada crise danifica a circulação linfática da região. Com a drenagem prejudicada, a área fica mais suscetível — e o episódio seguinte se torna mais provável. Instala-se um ciclo em que cada episódio prepara o próximo.
Quebrar esse ciclo passa por três frentes, e nenhuma delas é o antibiótico:
- Tratar as portas de entrada — sobretudo a micose entre os dedos, que é a causa mais comum e a mais negligenciada;
- Cuidar do inchaço — elevação das pernas e, quando indicada, compressão;
- Hidratar a pele, para evitar fissuras.
Fatores como diabetes, obesidade, insuficiência venosa e linfedema aumentam o risco e merecem acompanhamento próprio.
Como é o tratamento
É feito com antibiótico, escolhido conforme o quadro e a extensão, associado a repouso e elevação do membro afetado. Casos mais graves, com febre alta, extensão importante ou em pessoas com outras condições de saúde, podem exigir tratamento hospitalar.
Um cuidado que costuma ser subestimado: o antibiótico deve ser completado pelo tempo prescrito, mesmo que a vermelhidão melhore em poucos dias. Interromper antes é uma das causas de recaída precoce.
⚠️ Quando não esperar
Procure atendimento sem adiar diante de vermelhidão que se espalha rapidamente, febre alta, dor desproporcional ao aspecto da lesão, surgimento de bolhas ou de áreas arroxeadas, ou piora apesar do antibiótico iniciado.
Avaliação individual
Perna vermelha e inchada tem outras causas possíveis — dermatite de contato, trombose e insuficiência venosa entre elas —, e algumas pedem conduta oposta à da erisipela. É o exame que separa uma da outra. Veja também infecções cutâneas.
Perguntas frequentes
Como reconhecer a erisipela?
Pela placa avermelhada, quente, dolorosa e com bordas bem delimitadas — a delimitação nítida é o que a distingue de outras infecções de pele. Costuma acometer a perna e vir acompanhada de febre, calafrios e mal-estar, que muitas vezes aparecem antes da vermelhidão.
Por que a erisipela volta?
Porque cada crise danifica a circulação linfática da região. Com a drenagem prejudicada, a área fica mais suscetível e o episódio seguinte se torna mais provável — cada episódio prepara o próximo.
Como reduzir a chance de novos episódios?
Tratando as portas de entrada, sobretudo a micose entre os dedos dos pés, que é a causa mais comum e a mais negligenciada; cuidando do inchaço, com elevação das pernas e compressão quando indicada; e hidratando a pele para evitar fissuras. Nenhuma dessas frentes é o antibiótico.
Qual a diferença entre erisipela e celulite infecciosa?
A erisipela é mais superficial e tem bordas nítidas e elevadas; a celulite infecciosa é mais profunda, com bordas difusas. Ambas exigem antibiótico e avaliação. E a celulite infecciosa não tem relação alguma com a celulite estética, apesar do nome.
Quando procurar atendimento sem esperar?
Diante de vermelhidão que se espalha rapidamente, febre alta, dor desproporcional ao aspecto da lesão, surgimento de bolhas ou de áreas arroxeadas, ou piora apesar do antibiótico já iniciado.
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