Psoríase
Revisado por Dra. Ana Elisa Brito Vilibor, dermatologista — CRM-SP 117811 · RQE 32407
A psoríase é uma doença crônica e cíclica que acomete cerca de 1% da população. Pode surgir em qualquer idade, com picos de incidência na segunda e na quinta décadas de vida. É multifatorial — tem componente genético, é imunomediada e sofre influência ambiental. Na Classificação Internacional de Doenças, corresponde ao CID-10 L40.
Como a psoríase se manifesta
A manifestação mais conhecida são placas avermelhadas cobertas por escamas esbranquiçadas, de limites bem definidos. O que acontece na pele é uma renovação acelerada das células — não uma infecção. Vale dizer com todas as letras: psoríase não é contagiosa. Não se pega em piscina, aperto de mão ou toalha compartilhada.
Os tipos de psoríase
O tipo muda o tratamento, e é a primeira coisa que a avaliação define:
- Em placas (vulgar) — a forma mais comum, com placas nos joelhos, cotovelos, couro cabeludo e tronco.
- Gutata — lesões pequenas e arredondadas, espalhadas pelo tronco e pela raiz dos membros. Costuma surgir semanas depois de uma infecção de garganta, e é mais frequente em crianças e jovens.
- Invertida (ou inversa) — nas dobras: axilas, virilha, embaixo das mamas. Aqui as placas são lisas e avermelhadas, sem a descamação típica, o que faz o quadro ser confundido com micose.
- Ungueal — nas unhas, isolada ou junto com a pele.
- Palmoplantar — nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, onde tende a rachar e doer, com impacto grande no dia a dia.
- Pustulosa e eritrodérmica — formas mais raras e graves, que exigem avaliação sem demora.
Psoríase no couro cabeludo
É uma das localizações mais frequentes e a que mais costuma ser confundida com caspa. A diferença está no aspecto: na psoríase as placas são espessas, bem delimitadas, com escamas prateadas que muitas vezes ultrapassam a linha do cabelo, aparecendo na testa, atrás das orelhas e na nuca.
O tratamento local usa produtos capazes de atravessar os fios — loções, espumas e xampus com ativos específicos, como o ácido salicílico, que ajuda a soltar a escama, e o alcatrão. A escolha e a frequência de uso são definidas em consulta: xampu de farmácia para caspa comum costuma não resolver, e o uso prolongado de corticoide sem orientação traz problemas próprios.
Coçar e arrancar a escama piora — o trauma na pele desencadeia lesão nova no mesmo lugar.
Psoríase nas unhas
Pode aparecer isolada, antes mesmo das lesões de pele, e é um achado que ajuda a fechar o diagnóstico. Os sinais mais comuns:
- pequenas depressões puntiformes, como se a unha tivesse sido furada com alfinete;
- manchas amareladas em “mancha de óleo”;
- descolamento da borda livre;
- espessamento e fragilidade.
É frequentemente confundida com micose de unha — e o tratamento é completamente diferente, o que torna o exame importante antes de começar qualquer coisa. A psoríase ungueal responde mais devagar que a da pele, porque acompanha o ritmo de crescimento da unha.
Não é só pele: as articulações
A psoríase pode vir acompanhada de comprometimento articular, com dor e rigidez, sobretudo matinal. Esse é um motivo importante para não tratar a doença apenas como questão estética: dor articular persistente em quem tem psoríase merece avaliação, porque o acompanhamento conjunto com o reumatologista muda a condução.
O que costuma desencadear as crises
- infecções, sobretudo de garganta;
- trauma na pele — arranhões e cortes podem fazer surgir lesão no local exato do machucado;
- tempo seco e frio;
- períodos de estresse;
- algumas medicações, motivo pelo qual vale informar tudo o que se usa na consulta.
Como se mede a gravidade
A conduta não depende só da aparência das placas. São considerados a extensão da área acometida, a intensidade das lesões e — o que mais pesa — o quanto a doença atrapalha a vida da pessoa. Existem índices para isso, como o PASI, que pontua área e intensidade, e questionários de qualidade de vida.
Uma psoríase pequena em área visível, ou nas mãos de quem trabalha com elas, pode ter impacto maior que uma extensa em área coberta — e o tratamento acompanha isso.
Como é o tratamento
Tratamento local: pomadas, cremes e loções
É a base dos quadros leves a moderados e acompanha praticamente todos os casos. Envolve hidratação constante da pele, que reduz a descamação e o desconforto, associada a medicações de uso tópico — entre elas corticoides de diferentes potências, derivados da vitamina D, e ativos que ajudam a remover a escama.
A escolha depende da região: o que se usa numa placa espessa do cotovelo não serve para o rosto ou para as dobras, onde a pele é fina. E corticoide potente por conta própria, por tempo prolongado, causa afinamento da pele e outros efeitos — é medicação com indicação, potência e duração definidas em consulta.
Fototerapia
Exposição controlada a comprimentos de onda específicos, em cabine ou com laser. É uma opção para quadros mais extensos, feita em sessões e com acompanhamento.
Medicações sistêmicas
Para quadros moderados a graves ou que não respondem ao tratamento local, existem medicações por via oral — o metotrexato entre as mais conhecidas — que agem no processo inflamatório como um todo e exigem exames periódicos de acompanhamento.
Imunobiológicos
São medicações injetáveis que bloqueiam pontos específicos da inflamação, e representam a mudança mais importante no tratamento da psoríase nas últimas duas décadas. Estão indicadas em quadros graves, ou moderados que não responderam às opções anteriores, e há hoje várias classes disponíveis.
São tratamentos de alto custo, com critérios definidos para indicação, avaliação prévia — incluindo rastreio de infecções — e acompanhamento contínuo. A decisão de usar, qual usar e por quanto tempo é sempre médica, caso a caso.
Expectativa realista
A psoríase tem períodos de melhora e de piora ao longo da vida. O objetivo do tratamento é manter a pele controlada e a pessoa confortável — dizer isso desde o começo evita a frustração de quem esperava cura definitiva e abandona o cuidado na primeira recaída.
Psoríase em crianças
Corresponde a cerca de 4% das dermatoses infantis e tem particularidades próprias, como a apresentação em gotas e a localização na área das fraldas. Veja a página sobre psoríase infantil.
Avaliação individual
Placas descamativas têm outras causas possíveis — dermatite seborreica, eczema, micose e lúpus entre elas —, e o tratamento correto depende do diagnóstico certo. A consulta serve para diferenciar o quadro, definir o tipo e a extensão, e escolher a linha de tratamento que faz sentido no seu caso.
Perguntas frequentes
Qual é o CID da psoríase?
Na Classificação Internacional de Doenças, a psoríase corresponde ao CID-10 L40, com subdivisões conforme o tipo — por exemplo, L40.0 para a forma em placas e L40.4 para a gutata.
Qual pomada é indicada para psoríase?
Não existe uma só. O tratamento local combina hidratação constante com medicações tópicas — corticoides de diferentes potências, derivados da vitamina D e ativos que removem a escama —, e a escolha depende da região do corpo: o que se usa numa placa espessa do cotovelo não serve para o rosto ou para as dobras. Corticoide potente por conta própria e por tempo prolongado causa afinamento da pele, então a potência e a duração são definidas em consulta.
Psoríase no couro cabeludo é a mesma coisa que caspa?
Não. Na psoríase as placas são espessas, bem delimitadas e com escamas prateadas que muitas vezes ultrapassam a linha do cabelo, aparecendo na testa, atrás das orelhas e na nuca. O tratamento usa loções, espumas e xampus com ativos específicos, como ácido salicílico e alcatrão — xampu comum de caspa costuma não resolver.
Como saber se é psoríase na unha ou micose?
Os sinais da psoríase ungueal são depressões puntiformes, como furos de alfinete, manchas amareladas em "mancha de óleo" e descolamento da borda. A confusão com micose é frequente e o tratamento é completamente diferente — por isso o exame vem antes de começar qualquer coisa. A unha também responde mais devagar que a pele, porque acompanha o ritmo de crescimento dela.
Quais são os tipos de psoríase?
Em placas (vulgar), a mais comum; gutata, com lesões pequenas e arredondadas, frequente após infecção de garganta; invertida, nas dobras, sem a descamação típica; ungueal; palmoplantar, nas mãos e nos pés; e as formas mais raras e graves, pustulosa e eritrodérmica. O tipo muda o tratamento.
O que são os imunobiológicos para psoríase?
São medicações injetáveis que bloqueiam pontos específicos da inflamação, e representam a mudança mais importante no tratamento da psoríase nas últimas duas décadas. Estão indicadas em quadros graves, ou moderados sem resposta às opções anteriores. São de alto custo, exigem avaliação prévia — incluindo rastreio de infecções — e acompanhamento contínuo.
A psoríase pode afetar unhas e articulações?
Pode. As unhas podem ser acometidas antes mesmo das lesões de pele. E dor e rigidez articular, sobretudo matinal, em quem tem psoríase merecem avaliação — o acompanhamento conjunto com o reumatologista muda a condução do caso.
O que costuma desencadear as crises?
Infecções, sobretudo de garganta; trauma na pele, incluindo arranhões e cortes, que podem fazer surgir lesão no local exato do machucado; tempo seco e frio; períodos de estresse; e algumas medicações — motivo para levar à consulta a lista do que se usa.
A psoríase tem cura?
É uma doença crônica, com períodos de melhora e de piora ao longo da vida. O objetivo do tratamento é manter a pele controlada e a pessoa confortável, não prometer cura definitiva — e saber disso desde o começo evita abandonar o cuidado na primeira recaída.
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